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Vendas do Tesouro Direto avançam 64% com crise nos mercados
Plantão | Publicada em 29/08/2011 às 00h04m
Vinicius Neder (vinicius.neder@oglobo.com.br)RIO - Em tempos de crise da dívida em países ricos e fortes quedas das bolsas de valores em todo o mundo, investidores buscam segurança em títulos do governo brasileiro, que pagam os maiores juros do mundo. Nos primeiros sete meses do ano, a média mensal de vendas no Tesouro Direto - programa de negociação de títulos públicos diretamente à pessoa física - foi de R$ 305 milhões, salto de 64% em relação à média de R$ 186 milhões do ano passado. Segundo especialistas, usar o sistema é uma das melhores opções de investimento conservador em meio à turbulência nos mercados.
Mesmo que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerre o ciclo de aumento da taxa básica de juros (Selic) na reunião que termina depois de amanhã, como prevê a maioria dos analistas, ou até mesmo corte a taxa, a remuneração continuará acima do ano passado. A principal vantagem do programa de compra direta é oferecer boa rentabilidade com menos custos, dizem especialistas em finanças.
Assim como os fundos de renda fixa e DI - que aplicam a maior parte de seus recursos nos mesmos títulos públicos -, o Tesouro Direto oferece retorno maior do que o da poupança. Mas, como o programa elimina o intermediário - ou seja, o administrador do fundo -, a tendência é sobrar mais rendimento para o investidor.
Esse foi um dos motivos pelos quais o arquiteto Ian Joels optou pelo Tesouro Direto. Ele aplica no programa há quatro anos, com periodicidade de dois em dois meses. O foco é de longo prazo, para quando se aposentar.
- O retorno dos fundos fica em cerca de 8,5% ao ano, enquanto no Tesouro Direto é possível ter 11,5% ao ano - diz Joels, que aplica em títulos prefixados e atrelados ao IPCA.
Novos investidores estão se juntando a Joels. Nos primeiros sete meses deste ano, a média de novas adesões foi de 5,4 mil por mês, contra 3,3 mil em 2010.
Esse movimento também já é sentido nas corretoras. Segundo Bruno Carvalho, especialista em renda fixa da XP Investimentos, uma das maiores corretoras no segmento de varejo, o número de clientes atuando no Tesouro Direto saltou de 750, em dezembro passado, para 2.081, em julho último.
- Este ano, a procura pela renda fixa como um todo está em alta, por causa do desempenho ruim da Bolsa - diz Carvalho, que já sente uma migração maior de ações para títulos públicos neste mês, quando as perdas na Bolsa se aprofundaram.
Segundo o coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Rodrigo Cabral, é possível relacionar o aumento dos investimentos no Tesouro Direto à crise porque algo semelhante ocorreu em 2008. Em outubro daquele ano, auge da crise originada no mercado imobiliário dos EUA, foram vendidos R$ 259 milhões em títulos pelo programa. A média mensal de 2008 ficou em R$ 129 milhões.
No Brasil, o movimento de aversão ao risco vem desde o início do ano. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, acumula perda anual de 23,02% até sexta-feira. A queda se aprofundou este mês, mas ainda não há dados recentes sobre mais demanda pelo Tesouro Direto.
Leia a íntegra da reportagem no Globo Digital (exclusivo para assinantes)
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