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Fed agirá, se economia dos EUA piorar muito, diz Bernanke
Presidente do Fed disse que o desemprego elevado é 'uma crise nacional'.
Em discurso, Bernanke falou que EUA deviam se inspirar em emergentes.
Do G1, com informações de agências
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arquivo (Foto: Reuters)
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira (28) estar disposto a adotar mais políticas heterodoxas caso a economia dos EUA fique muito fraca e afirmou que as expectativas de inflação no longo prazo estão perto de 2%, nível que agrada ao banco central norte-americano.
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Bernanke, no entanto, ressaltou que o Fed está acompanhando atentamente as tendências de preço. "Se a inflação ou as expectativas de inflação ficarem muito baixas, nós teríamos de responder a isso", acrescentou. Ele disse também que o desemprego elevado é "uma crise nacional" que requer atenção da Casa Branca e do Congresso.
"Temos uma taxa de desemprego próxima a 10% há alguns anos e, das pessoas que estão sem trabalho, cerca de 45% encontram-se nesta situação há seis meses ou mais", afirmou Bernanke ao responder uma pergunta da plateia de um evento em Cleveland, logo após discursar.
O presidente do Fed mostrou forte determinação em agir. Embora os esforços do banco central para combater a crise financeira de 2008 tenham recebido elogios, as medidas mais recentes adotadas pela instituição atraíram críticas de vários setores. Membros do Partido Republicano, atualmente a oposição nos EUA, acreditam que a inflação futura é um problema real e são contrários às políticas de afrouxamento monetário adotadas pelo Fed até agora.
Em sua reunião mais recente, o comitê de política monetária do banco central norte-americano decidiu que vai vender US$ 400 bilhões em Treasuries de curto prazo e comprar o mesmo volume de títulos de maior duração, em uma tentativa de reduzir as taxas de juros no longo prazo e, dessa forma, estimular a economia norte-americana.
Bernanke disse que o Fed já fez "enormes esforços" para ajudar a economia, mas ressaltou que as políticas monetárias não são uma panaceia. Ao ser questionado sobre o que os congressistas podem fazer nesse sentido, disse que o setor imobiliário poderia ser melhor abordado pelo atual governo.
O presidente do Fed disse que a privatização das agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac (FMCC) é "um objetivo que muitos apoiam", mas acrescentou que esse é um processo que levará tempo justamente por causa da fragilidade do setor de habitação.
Emergentes
Durante discurso, Bernanke disse que os Estados Unidos, assim como outros países avançados, "fariam bem" se buscassem inspiração nas receitas que tiveram sucesso nos países emergentes.
Segundo ele, o sucesso dos países emergentes destaca "a importância da disciplina em matéria orçamentária, os benefícios do livre comércio, a necessidade de impulsionar a formação de capital privado assegurando ao mesmo tempo os investimentos públicos necessários".
Para Bernanke, é também a prova do "retorno elevado dos investimentos em educação e no progresso técnico" e da "importância de se revisar ou ter um marco regulatório que alimente as empresas e a inovação, mantendo a estabilidade financeira".
Ele destacou, no entanto, que a abertura demasiadamente rápida dos mercados financeiros se mostrou um exercício perigoso.
"As medidas para fortalecer os bancos e a regulação bancária deveriam ser postas em prática antes de o mercado doméstico ser aberto aos fluxos de capital de outros lugares", disse Bernanke.
O chairman do Fed acrescentou que, apesar do sucesso de muitos mercados emergentes em gerar crescimento por meio de exportações, esse modelo tem falhas.
"Gerar superávits comerciais ao suprimir a demanda doméstica acaba com a proposta maior do crescimento econômico: melhorar a vida de nosso próprios cidadãos", acrescentou Bernanke.
Parlamentares norte-americanos frequentemente criticam a China pelo esforço de, segundo eles, Pequim manter a moeda local, o iuan, artificialmente desvalorizada a fim de impulsionar as exportações.
(Com informações da Agência Estado, da Reuters e da France Presse)
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